O humorista Antonio Tabet voltou a publicar, na noite desta quarta-feira (30), o conteúdo que associa a família Bolsonaro a um suposto ataque a Nossa Senhora Aparecida, horas depois de o plenário virtual do TSE decidir, por maioria, manter a postagem no ar.
"A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!", escreveu Tabet, repetindo frase publicada anteriormente, que havia sido derrubada duas vezes por decisão do ministro André Mendonça, antes de o próprio relator mudar de posição no julgamento desta quarta.
"É a terceira vez que este post vai para o ar. Na primeira vez, foi censurado quando tinha mais de 2 mil retweets. Depois, voltou e foi censurado mais uma vez com quase 30 mil retweets", comemorou o humorista, completando: "Agora, se Deus e a democracia quiserem, ela nunca mais sai daí".
O episódio chama atenção justamente pelo contraste com o tratamento dado a outros casos de desinformação na reta final da campanha. A publicação de Tabet associa, de forma indireta, a família Bolsonaro a um ataque simbólico contra a santa padroeira do Brasil, mesmo sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, usando o termo "miliciana" para reforçar a narrativa de que o candidato pretenderia retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, fake news já desmentida e que motivou toda a disputa judicial em curso no TSE.
Caso a lógica fosse simétrica, uma publicação equivalente partindo do campo oposto, vinculando um candidato de esquerda a uma milícia ou a um ataque simbólico religioso com base em informação falsa, dificilmente escaparia de uma inclusão imediata no inquérito das fake news conduzido pelo STF. A reincidência de Tabet, que já havia sido alvo de duas remoções por ordem judicial e insiste publicamente em republicar o conteúdo, reforça a percepção de que determinados perfis contam com maior tolerância das instituições do que outros em situação similar.
O caso de Tabet ocorre em meio à guerra de liminares entre os ministros Mendonça e Flávio Dino sobre o tema, que resultou em decisões conflitantes ao longo da semana e culminou no julgamento de 14 horas do plenário virtual do TSE nesta quarta-feira.