Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, o nome que vem dominando o noticiário político do Judiciário já não é mais Alexandre de Moraes — por anos o rosto mais associado aos embates entre STF e setores da política brasileira —, e sim Flávio Dino.
A possibilidade de Dino determinar o afastamento dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça da relatoria de ações sobre propaganda eleitoral no TSE, revelada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (1º), tomou o centro da cobertura nos últimos dias, relegando a segundo plano temas que até pouco tempo monopolizavam as manchetes, como os desdobramentos envolvendo Moraes e episódios de desgaste do governo Lula.
A guerra de liminares sobre publicações ligadas a uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil — que já opôs Dino, Mendonça e Fux em decisões conflitantes ao longo da semana — se transformou no principal capítulo da crise institucional da reta final de campanha, concentrando a atenção da imprensa a poucos dias da votação de domingo (4/10).
Enquanto isso, questões que vinham pressionando o governo Lula, como a condução da reta final da campanha e a tentativa de conter a abstenção, perderam espaço nas pautas, assim como a cobertura sobre Moraes, até então figura recorrente no debate sobre o papel do Supremo nas eleições.
A disputa interna entre Dino, Kassio e Mendonça, somada à pressão do deputado Paulinho da Força pelo afastamento dos dois ministros do TSE, consolidou-se como o fato político mais comentado da semana — num momento em que a atenção da opinião pública deveria estar voltada, em tese, para a definição do primeiro turno das eleições presidenciais.