O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de conversas de um jornalista em um inquérito mesmo após a Polícia Federal alertar que o material poderia revelar fontes protegidas pelo sigilo constitucional. Segundo a Folha de S.Paulo, em abril, o delegado Antônio Carlos Knoll de Carvalho informou que havia deixado de anexar mensagens por esse motivo. No mesmo dia, Moraes ordenou a juntada do material em até 48 horas, alegando a necessidade de avaliar sua licitude diante de indícios de crime.
A investigação apura uma suposta perseguição ao ministro Flávio Dino pelo jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino. Em agosto, a PF cumpriu mandados de busca contra o ex-delegado Raimundo Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima, apontados como possíveis informantes do jornalista. Os investigadores suspeitam que Cutrim obteve dados em sistemas restritos, mas afirmaram não ser possível concluir que uma transferência de R$ 100 mil feita por Diogo Lima tenha financiado reportagens contra Dino.
Luís Pablo nega ter monitorado o ministro e seus familiares. A assessoria de Dino também negou irregularidades no uso dos veículos oficiais e afirmou que informações sigilosas de segurança teriam sido acessadas ilegalmente e usadas em monitoramento clandestino. A assessoria de Moraes disse que o ministro já havia tratado do assunto, mas ele não se manifestou à Folha.
Com informações do O Antagonista