O senador Rogério Marinho (PL-RN) fez uma distinção importante ao comentar as eleições presidenciais: uma coisa é afirmar que houve fraude no pleito; outra, bem diferente, é sustentar que há elementos que configuram abuso de poder econômico por parte da campanha vitoriosa.
Questionado se concordava com a tese de fraude nas urnas, Marinho foi direto: "Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas." O senador atribuiu declarações nesse sentido a um "desabafo" de quem se sente injustiçado e foi obrigado a deixar o país diante das circunstâncias recentes — numa referência a aliados bolsonaristas afastados do Brasil.
Mas a ausência de provas de fraude, segundo Marinho, não absolve o que ele chama de abuso de poder econômico. "De fato, houve abuso de poder econômico", afirmou, citando que há cerca de 20 ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs) protocoladas contra a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, das quais o senador espera que "alguma delas leve à cassação dessa chapa".
Em tom de ironia, parafraseando o próprio presidente Lula, Marinho declarou: "Nunca antes na história desse país se cometeu um abuso do poder econômico dessa magnitude." Segundo o senador, mais de R$ 400 bilhões — e mais de R$ 60 bilhões liberados após a apresentação da Lei Orçamentária Anual — teriam sido direcionados a programas sociais em pleno período eleitoral.
Marinho afirmou ainda que milhões de brasileiros receberam mensagens de WhatsApp e SMS comunicando perdão de dívidas e valores extras do Bolsa Família, envios feitos, segundo ele, após a apresentação da lei orçamentária — o que caracterizaria violação à legislação eleitoral. "Isso tudo depois da apresentação da lei orçamentária, isso é vedado pela lei", disse.
Para o senador, o episódio reforça a defesa histórica do PL pelo fim da reeleição presidencial. "Esse instituto tá completamente contaminado", afirmou, ao classificar o que chamou de "transgressão extremamente grave da ordem econômica brasileira" cometida "no afã de ganhar as eleições".
Marinho também estendeu as críticas ao Supremo Tribunal Federal, acusando ministros da Corte de terem "driblado a Justiça Eleitoral" por meio de "intervenções as mais variadas que não eram de sua competência" durante o processo eleitoral.
Até a publicação desta matéria, as quase 20 ações mencionadas por Marinho seguem em tramitação no TSE, sem decisão de mérito sobre os pedidos de cassação da chapa Lula-Alckmin.