A Polícia Federal intimou a empresária Roberta Luchsinger para prestar depoimento no inquérito que apura os desvios bilionários em aposentadorias e pensões do INSS. A decisão da PF reforça a importância que os investigadores veem no depoimento dela, mesmo após a bancada governista ter conseguido barrar sua convocação na CPMI do INSS.
Em março, a base aliada do governo articulou a rejeição do requerimento que pedia a oitiva de Roberta na comissão parlamentar. O placar foi de 16 votos contrários e 12 favoráveis. Parlamentares da oposição acusaram o PT e seus aliados de blindar a empresária, que é apontada como elo entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
A PF identificou cinco repasses de R$ 300 mil do Careca do INSS para uma empresa ligada a Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão. Segundo depoimento de um ex-funcionário do lobista e mensagens de WhatsApp analisadas pelos investigadores, o dinheiro teria como destino final o próprio Lulinha, referido nas conversas como "o filho do rapaz".
Roberta é herdeira do ex-banqueiro suíço Peter Luchsinger, ex-acionista do Credit Suisse, e foi casada com o ex-delegado da PF Protógenes Queiroz. Ela chegou a concorrer a deputada federal pelo PT e mantém relações próximas com a família do presidente. As investigações indicam que ela fazia lobby no Ministério da Saúde ao lado do Careca do INSS, representando uma empresa de telemedicina.
A defesa de Roberta respondeu à PF que a empresária já prestou informações por escrito e não tem interesse em depor. Mesmo assim, o relatório final da CPMI, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar, a indiciou por cinco crimes: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e tráfico de influência.
O movimento da PF mostra que, embora o governo tenha conseguido proteger Roberta no âmbito parlamentar, a investigação criminal segue seu próprio caminho. Com a delação de Maurício Camisotti fechada nesta semana, novas revelações podem ampliar ainda mais a pressão sobre o entorno do presidente.