O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a família Camisotti movimentou valores até cinco vezes superiores aos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, até então apontado como principal operador financeiro do esquema de descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões. Maurício Camisotti é, hoje, o primeiro a assinar um acordo de delação premiada para delatar os demais envolvidos.
A declaração de Gaspar foi feita durante a oitiva do empresário Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, na sessão da CPMI realizada em 26 de fevereiro. Segundo Gaspar, três entidades investigadas teriam repassado juntas mais de R$ 800 milhões, dos quais cerca de R$ 350 milhões chegaram diretamente a empresas ligadas à família.
"Essa família, com mais de R$ 350 milhões dessas três entidades, é três vezes, quatro vezes, cinco vezes, melhor falando, mais forte do que o Careca do INSS. Botaram o nome do Careca do INSS e a gente ficou repetindo que ele era o maior operador financeiro. Mas lembrem deste nome: Camisotti. Nesta operação aqui, foi cinco vezes maior", declarou o relator.
O Careca do INSS e os Camisotti em números
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, recebeu R$ 353,8 milhões, dos quais pelo menos R$ 150 milhões foram lavados por meio de uma rede de 41 empresas de fachada que, no total, movimentou cerca de R$ 39 bilhões, conforme o relatório final da CPMI apresentado por Gaspar. As empresas não possuíam funcionários, funcionavam em endereços residenciais e estavam registradas em nome de laranjas. Parte dos recursos era enviada ao exterior ou convertida em criptomoedas.
Já a família Camisotti, segundo a CPMI, teria movimentado cerca de R$ 800 milhões em descontos ilegais sobre benefícios previdenciários. Maurício Camisotti, dono de empresas da área de seguros e planos de saúde, está preso desde setembro de 2025. Seu filho Paulo compareceu à comissão como testemunha, mas, amparado por habeas corpus do STF, permaneceu em silêncio diante da maioria das perguntas. Parlamentares pediram que ele fosse reclassificado de testemunha para investigado.
Delação premiada
No dia 9 de abril de 2026, a Folha de S.Paulo e o Estadão confirmaram que Maurício Camisotti assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal, no qual admite a existência de fraudes nos descontos das aposentadorias. O material foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, no STF, para homologação. Há expectativa de que o acordo resulte na concessão de prisão domiciliar ao empresário.