O empresário Flávio Figueiredo Assis, conhecido como “Elon Musk brasileiro”, é alvo de investigação por suspeita de esquema de pirâmide financeira envolvendo a venda antecipada de carros elétricos e híbridos pela Lecar. A apuração foi motivada por indícios apontados pelo Ministério da Fazenda.
Segundo uma reportagem do Metrópoles, de acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas, a empresa apresenta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta”. O modelo de negócio, chamado de “compra programada”, prevê pagamento em parcelas ao longo de até 72 meses, com promessa de entrega do veículo na metade do período — mesmo sem fábrica pronta ou produto homologado.
O relatório aponta quatro indícios principais: cobrança de taxa para atuação como revendedor, promessa de entrega futura sem produto validado, uso de estratégias de urgência para atrair clientes e dependência da entrada de novos participantes para manter o fluxo financeiro, características associadas a esquemas de pirâmide.
A análise foi solicitada pelo Ministério Público Federal, que abriu investigação sobre o caso. O documento também cita possíveis irregularidades como publicidade enganosa e omissões em informações ao consumidor.
Criada em 2022, a Lecar surgiu com a proposta de desenvolver veículos elétricos no Brasil, inspirada em modelos como os da Tesla. O projeto prevê investimento de cerca de R$ 870 milhões em uma fábrica no Espírito Santo, com produção estimada a partir de 2027, mas enfrenta atrasos.
Em resposta, Flávio Assis negou irregularidades e afirmou que o modelo de negócio é transparente. Segundo ele, a empresa ainda está em fase de desenvolvimento e os clientes aderem ao projeto de forma consciente. O empresário também reconheceu atraso na construção da fábrica, mas disse que o projeto segue em andamento.