Facções criminosas passaram a usar crimes ambientais como nova fonte de financiamento e expansão de poder no Amazonas. Segundo reportagem do G1, atividades como garimpo ilegal, extração de madeira, grilagem e tráfico de animais silvestres têm sido incorporadas à estrutura do crime organizado na região.
De acordo com estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, grupos como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital passaram a tratar esses crimes como estratégicos, tanto para geração de recursos quanto para lavagem de dinheiro e domínio territorial. A atuação já foi identificada em municípios como Humaitá, Lábrea e Manicoré.
A mudança no perfil do crime na região indica que, além do tráfico de drogas, as facções passaram a explorar diretamente recursos naturais. O ouro ilegal, por exemplo, tem sido usado como moeda para compra de cocaína no Peru e na Colômbia. A logística também é compartilhada: rotas usadas para transporte de drogas servem para circulação de madeira, armas e minério.
Segundo especialistas, a fragilidade da fiscalização ambiental e a extensão territorial da Amazônia facilitaram a expansão dessas atividades. A presença das facções tem aumentado conflitos, pressionado comunidades indígenas e ribeirinhas e ampliado a violência na região.
Autoridades apontam que o enfrentamento exige ações integradas. Para a Polícia Federal, não basta prender envolvidos, é necessário atingir a estrutura financeira das organizações, rastreando recursos e bloqueando o fluxo de dinheiro.