Quando sentou diante dos parlamentares da CPMI do INSS, em fevereiro, Gilberto Waller Júnior já era um homem politicamente morto — só ainda não sabia. Pressionado por horas, o então presidente do INSS tentou se defender das acusações de incompetência e omissão, mas não convenceu.
Foi questionado sobre a fila recorde de 3,1 milhões de processos represados, sobre a demora em agir contra fraudes do Banco Master nos consignados e sobre a crise aberta com o próprio ministro da Previdência, que já havia lhe retirado poderes publicamente. Saiu da CPMI menor do que entrou. Hoje, saiu do cargo.
O governo Lula oficializou nesta segunda-feira (13) a exoneração de Waller, conforme publicado pelo Metrópoles. Para o seu lugar, foi nomeada Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que assume com a missão declarada de destravar a fila de benefícios.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, agradeceu Waller e elogiou a substituta, mas nos bastidores a relação entre os dois já havia desmoronado há meses. Queiroz retirou poderes de nomeação de Waller por portaria, o desmentiu publicamente após uma audiência no STF e chegou a excluí-lo de eventos oficiais da própria pasta. Waller comandava o INSS apenas no papel.
Com a sua saída, o INSS chega ao terceiro presidente a cair no governo Lula 3. Antes dele, Glauco Wamburg saiu por uso irregular de diárias, e Alessandro Stefanutto foi demitido e depois preso pela Polícia Federal, acusado de receber R$ 250 mil mensais de propina da organização criminosa que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas.
A CPMI que investigou o escândalo foi encerrada em março sem relatório final, após manobra da base governista que rejeitou o parecer da oposição (que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Lulinha, filho do presidente) e impediu a votação do texto alternativo. O saldo é brutal: três presidentes em três anos, um escândalo bilionário, uma CPMI enterrada e 3,1 milhões de brasileiros que seguem na fila, esperando do INSS uma resposta que não chega.