O advogado-geral da União, Jorge Messias, tem hoje 48 votos para se tornar o 11º ministro do Supremo Tribunal Federal, de acordo com tabulações obtidas junto a líderes do governo e da oposição. A sabatina marcada pelo presidente Davi Alcolumbre para o dia 29, um dia antes da votação do veto à dosimetria dos condenados pela tentativa de golpe de Estado, deverá ter um quórum alto, o que hoje favorece Messias. Para ser aprovado, o indicado precisa ter apoio de 41 dos 81 senadores.
É um quadro completamente diferente do de dezembro, quando Messias foi indicado e um ressentido Davi Alcolumbre ameaçou sabatiná-lo em menos de duas semanas. À época, Messias mal chegava aos 30 votos. Os cinco meses na chuva, no entanto, ajudaram Messias a quebrar resistências. Com a ajuda decisiva dos dois ministros indicados pelo governo Bolsonaro, André Mendonça e Kássio Nunes Marques, Messias tem hoje votos nos oposicionistas PL, PP e União.
Membro da Igreja Batista, Messias foi avalizado junto a senadores evangélicos pelo presbiteriano André Mendonça como um jurista que não encampará teses liberais sobre aborto e restrição à liberdade religiosa . Ao discursar na segunda-feira (6) ao receber uma homenagem da Assembleia Legislativa de São Paulo, Mendonça relembrou sua carreira na AGU de Bolsonaro e se dirigiu a Messias: “Faço votos de que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo, de estar comigo ali no Supremo Tribunal Federal”. O decano do STF, Gilmar Mendes, também cabalou votos pró-Messias.
Na outra ponta, o ministro Flávio Dino, que foi colega de Messias no primeiro ano do governo Lula, trabalhou intensamente contra, mesmo depois do anúncio público da indicação.
O GLOBO