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Relator da CPMI do INSS ameaça reeleição de Renan Calheiros em Alagoas

A decisão já estava madura, mas o momento não poderia ser mais calculado. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL/AL), que passou o último ano sob os holofotes do país como relator da CPMI do INSS, desenterrando o escândalo bilionário que derrubou três presidentes do órgão e levou Alessandro Stefanutto à prisão, confirmou que não vai se contentar com uma reeleição tranquila à Câmara. Na segunda-feira (30), ele lança oficialmente a pré-candidatura ao Senado por Alagoas, em evento que formaliza o que os bastidores já davam como certo desde o início do ano. O alvo é direto: a cadeira de Renan Calheiros, que tenta a quinta reeleição consecutiva ao Senado.

E os números explicam a ousadia. A pesquisa mais recente do Instituto Veritá, registrada sob o número AL-03400/2026 e realizada entre 18 e 24 de março com 1.220 eleitores em todo o estado (margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%), coloca Gaspar isolado na liderança: 25,8% das intenções de voto no cenário estimulado, o equivalente a 48,4% dos votos válidos. 

Renan aparece em segundo com 12,9% (24,1% dos válidos), seguido por Arthur Lira com 7,3% (13,7%). Na pesquisa espontânea, Gaspar também lidera com 3,2%, contra 2,0% de Renan e 1,0% de Lira, num universo em que 91,9% dos eleitores ainda não citam nenhum nome. O dado mais devastador para Renan, porém, está na rejeição: o senador lidera com 37,4% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, contra 25,6% de Lira e 21,7% de Gaspar.

A trajetória que trouxe Gaspar até aqui é indissociável da CPMI. Durante meses, o deputado conduziu sessões que expuseram o maior escândalo previdenciário da história recente do Brasil, um esquema de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos que sangrou aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. Foi dele a condução dos depoimentos que constrangeram Gilberto Waller, o presidente do INSS exonerado justamente hoje, e que resultaram em pedidos de indiciamento de mais de 200 pessoas. 

Mesmo quando a base governista manobrou para encerrar a CPMI sem relatório final em março, Gaspar conseguiu prorrogação junto ao ministro André Mendonça, do STF, para continuar trabalhando na legislação de blindagem ao sistema previdenciário. Transformou derrota política em vitrine pessoal e agora converte essa vitrine em plataforma eleitoral.

A ameaça a Renan Calheiros é real e estrutural. O senador, que domina a política alagoana há décadas, enfrenta pela primeira vez um adversário que não vem do seu campo e que construiu capital político fora das alianças tradicionais do estado. Gaspar foi o deputado federal mais votado de Maceió em 2022, sem apoio de prefeitos ou máquinas partidárias, o que ele próprio define como "voto de opinião".

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