Rosas di Maria 2
GILMAR MENDES | Foto: Gustavo Moreno/STF
politica

Gilmar Mendes quer reforço na sua ‘bancada’ do STF

Jorge Messias vem aí. Vencidas, algumas codevasfs depois, as principais dificuldades forjadas por Davi Alcolumbre, os seus wevertons já afrouxam as cordas e apontam para aquela sabatina teatral padrão. Messias vem aí. E Gilmar Mendes o reivindica para si.

Quer reforço à sua bancada no Supremo, também a bancada do governo na corte constitucional – o terceiro parlamento, com todos os ônus eleitorais decorrentes da associação de Lula ao “companheiro” Alexandre de Moraes, a própria imagem de um tribunal percebido ao mesmo como agente líder em operação abafa (contra as investigações do caso Master) e extensão proativa do Planalto.

Messias vem aí, talvez mesmo a tempo – de pedido de vista em pedido de vista – de formar maioria pela eleição suplementar direta no Rio de Janeiro; ou talvez, não havendo mais tempo de organizar a eleição suplementar, para formar maioria a que haja somente a eleição regular de outubro e, já em outro patamar de intervenção, a que o presidente do Tribunal de Justiça governe o Estado até janeiro, ignorada a linha sucessória a ser recomposta com a eleição de novo presidente da Assembleia Legislativa.

A bancada que precisa de reforço: além de Mendes e Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. (Paulo Gonet, PGR, é assessor-parlamentar do bloco.) Messias vem aí, para assegurar a maioria e, contra o código de Fachin, reafirmar a vigência do direito xandônico.

Leal a Lula, como Zanin e Dino, o principal critério para indicação neste mandato; e doravante devedor do decano, cuja carga em senadores que têm foro no STF não pode ser desvalorizada.

“Apoio de peso” – li em algum lugar, sobre a defesa de Gilmar às credenciais do candidato, cousa de repente normal um ministro do Supremo fazendo campanha pública, em rede social, para que o advogado-geral da União se junte ao time. Já há muito natural que tenham candidatos a todos os cargos de indicação política em Brasília – e que trabalhem por eles.

Gilmar Mendes quer reforço à bancada porque o caso Master a expôs e enfraqueceu. Moraes, ainda que ferido, mantém-se de pé, mesmo sem meios para explicar o contrato do escritório da esposa – R$ 80 milhões pagos em 22 meses – com o banco. Não tendo como explicar o valor do serviço nem a mensagem em que Vorcaro lhe questiona, no dia em que seria preso, sobre se conseguira bloquear algo, reage disparando investigações-intimidações via inquérito xandônico infinito e onipotente.

Xandão tem fibra e é útil. Ainda. Não se poderá dizer o mesmo de Dias Toffoli, outrora anulador-geral da República, hoje moribundo dependente da blitz bloqueadora que o time promove para lhe blindar o sigilo da empresa – blitz que o tem por fachada para a blindagem, afinal, do próprio Supremo. Dias Toffoli, descartável, tornou-se especialmente tóxico, pois inconfiável; os membros da bancada – que decidiriam não investigar a trairagem – não tendo se esquecido de que alguém gravara e vazara a reunião secreta em que deliberaram sobre seu afastamento da relatoria do caso Master. Messias vem aí e Gilmar tem pressa.

Carlos Andreazza - Estadão

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