A delação do banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta um entrave central: a dificuldade de rastrear o dinheiro investigado pela Polícia Federal. Os recursos estariam espalhados em estruturas financeiras complexas no Brasil e no exterior, o que pode limitar o alcance do acordo.
Segundo a defesa, Vorcaro pretende firmar uma colaboração ampla, com possibilidade de devolver valores bilionários. O problema é que parte desse dinheiro está em paraísos fiscais e também em sistemas menos transparentes, como o Cross-Border Interbank Payment System, adotado pelo Banco Master em 2025. Esse modelo, operado em yuan, funciona como alternativa ao sistema financeiro ocidental e dificulta o rastreamento das transações.
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, afirmam que, ao contrário de redes tradicionais como o Swift, o sistema chinês tem menor nível de transparência e cooperação internacional. Na prática, isso torna mais difícil localizar valores e identificar beneficiários, o que pode atrasar ou até comprometer a recuperação dos recursos.
Além disso, há o risco de o dinheiro desaparecer caso a delação demore. Investigadores apontam que os valores podem estar em nome de terceiros ou distribuídos em múltiplas contas e fundos, o que dificulta o bloqueio.
Para avançar no acordo, Vorcaro precisará indicar onde está o patrimônio e comprovar que está disposto a devolver parte significativa dos valores. A depender do conteúdo da delação, o caso pode abrir novas frentes de investigação e ampliar a crise envolvendo o Banco Master.