O presidente da Associação dos Oficiais da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, Coronel Cardoso, se pronunciou neste sábado (18) sobre a prisão do vereador de Goiânia Fabrício Rosa (PT), detido pela PM durante manifestação do MST em Santa Helena de Goiás. Em nota, Cardoso classificou a atuação do parlamentar como um "espetáculo orquestrado, de cunho puramente eleitoreiro" e prestou solidariedade aos policiais envolvidos. "Fica evidente a tentativa de autopromoção, com foco em engajamento nas redes sociais", declarou.
A prisão aconteceu na manhã de sexta-feira (17), quando Fabrício tentava acessar um ato do MST que bloqueava a rodovia GO-210, nas proximidades da Usina Santa Helena — alvo de denúncias sobre dívidas com a União. A PM informou que o vereador descumpriu ordens legais, tentou romper o isolamento e proferiu ofensas contra os policiais, sendo preso em flagrante por desacato e desobediência.
O momento da detenção foi gravado pelo próprio vereador e viralizou nas redes sociais. No vídeo, Fabrício questiona o bloqueio e dispara: "A Polícia Militar, que assassina jovens todos os dias, que mata jovens negros todos os dias, que comete ilegalidades, não quer permitir que um parlamentar.". Nesse instante, um dos policiais avança e dá voz de prisão.
O episódio polarizou o debate público. Apoiadores da PM aplaudiram a conduta dos agentes e classificaram a atitude do vereador como provocação calculada. Já o MST divulgou nota de solidariedade, afirmando que a manifestação era pacífica e já se encerrava quando a prisão ocorreu. O ato marcava os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás.
Fabrício Rosa e o coordenador nacional do MST, Leandro de Almeida Costa, também detido, foram liberados após depoimento na delegacia de Santa Helena de Goiás e seguiram para exame de corpo de delito em Rio Verde. O vereador acusou o governo estadual de usar a PM para fins políticos e mostrou hematomas que atribuiu à abordagem policial. A assessoria do parlamentar contesta a versão de desacato.