O sábado de feriado tinha um clima de promessa e um único assunto dominando os grupos de WhatsApp: o show de Henrique e Juliano. Era a chance. A noite perfeita. O reencontro com a autoestima, com o espelho, com aquela versão que ainda acredita que tudo pode acontecer em um sábado à noite.
Durante a semana, foi um verdadeiro mutirão silencioso das luluzinhas: cartão de crédito trabalhando mais que muita gente, parcelas brotando como milagre, roupa nova, salto alto, brinco chamativo. E elas chegaram. Impecáveis. Escova alinhada, maquiagem calculada, perfume marcando presença antes mesmo do “oi”.
Mas o roteiro não colaborou. Os poucos (raríssimos) exemplares de homens solteiros disponíveis evaporaram antes mesmo da segunda música. Quinze minutos. Nem deu tempo de aquecer o coração. E quando parecia que não dava pra piorar… o céu decidiu participar. Chuva. Daquelas sinceras, sem aviso, sem piedade. A escova virou lembrança, a maquiagem desceu sem pedir licença, e o salto (aquele mesmo parcelado em 10 vezes) virou instrumento de sobrevivência no meio da lama.
E no meio do caos, ainda teve o golpe final: celular sumindo, gente procurando bolsa, cara de quem não sabe se ri ou chora. No fim das contas, sobrou o quê? Uma noite cara, molhada e frustrada. Porque expectativa alta demais costuma cobrar caro. E em Natal, neste sábado, teve gente que pagou em dinheiro, em dignidade… e em prestação até o fim do ano.