A morte da menina Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, encontrada enterrada no quintal da casa do ex-padrasto no conjunto Leningrado, bairro Guarapes, Zona Oeste de Natal, provocou uma onda de revolta na comunidade. Moradores invadiram e depredaram a residência do suspeito na tarde desta segunda-feira (20), em um ato de indignação que evidencia o impacto do crime na vizinhança.
As imagens da invasão foram publicadas pelo Via Certa. O caso chocou Natal pela brutalidade. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, o suspeito, de 24 anos, confessou ter abusado sexualmente e matado a criança, que estava desaparecida desde a tarde do domingo (19). A menina havia morado com a mãe e o irmão na casa do ex-padrasto até janeiro deste ano. O corpo foi localizado após a prisão do homem, encontrado no próprio local de trabalho na manhã de segunda.
A mãe de Pétala, Edvânia Bernardo da Silva, relatou ao g1 o momento em que soube que o autor do crime era seu ex-companheiro: "Caiu todo meu mundo." A Polícia Civil investiga o caso como vicaricídio, modalidade de violência vicária em que o agressor atinge pessoas próximas da mulher para causar sofrimento psicológico. A legislação brasileira prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão para esse tipo de crime, podendo ser aumentada em até metade conforme as circunstâncias.
O caso reacende o debate sobre a proteção de crianças em contextos de violência doméstica e sobre a responsabilidade do Estado em identificar situações de risco. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e pede que informações sejam repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181. A causa oficial da morte será confirmada após exames periciais do ITEP-RN.