O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP) voltou a atacar a Polícia Federal nesta semana ao afirmar que a corporação "quis dar uma de malandra" no episódio da detenção de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. A declaração foi publicada nas redes sociais e faz referência à disputa de narrativas entre o governo brasileiro e aliados bolsonaristas sobre as circunstâncias da prisão do ex-diretor da Abin, que é considerado foragido da Justiça brasileira desde sua condenação a 16 anos pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
Ramagem foi detido no dia 13 de abril por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA) em Orlando, na Flórida. A PF afirmou oficialmente que a prisão "decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA". Eduardo, no entanto, sustenta uma versão diferente: segundo ele, a detenção ocorreu após uma simples infração de trânsito, que levou Ramagem a ser encaminhado às autoridades migratórias em um "procedimento padrão" americano, sem qualquer relação com o pedido de extradição formulado pelo Brasil.
A versão da oposição encontrou reforço no próprio Ramagem. Em vídeo publicado após sua liberação do centro de detenção do ICE, na quarta-feira (16), o ex-deputado chamou a PF de "polícia de jagunços", atacou diretamente o diretor geral Andrei Rodrigues e agradeceu a Eduardo Bolsonaro, ao senador Hiran Gonçalves e aos jornalistas Allan dos Santos e Paulo Figueiredo por terem intermediado contato com autoridades americanas para viabilizar sua soltura. Ramagem alega ter entrado legalmente nos EUA em setembro de 2025 com passaporte e visto regulares, e que posteriormente protocolou pedido de asilo político para ele e sua família.
A PF rebate essa narrativa. Segundo a corporação, Ramagem permanecia em território americano com passaporte parlamentar, documento que se tornou irregular após a cassação de seu mandato no fim de 2025. A saída do Brasil, conforme a investigação, se deu por meio de uma fuga pela fronteira de Roraima com a Guiana. O caso adiciona mais um capítulo à crise diplomática envolvendo brasileiros condenados pelo golpismo que buscam refúgio nos EUA, testando os limites da relação entre Brasília e Washington na era Trump.