Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso na semana passada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, pode se tornar o primeiro delator do caso Banco Master. Desde fevereiro, ele vinha sinalizando disposição de colaborar com investigadores, pediu para depor novamente e manteve conversas com a PF que, segundo a Folha de S.Paulo, avançaram consideravelmente. Com sua prisão, a pressão por um acordo formal se intensificou.
O cenário ficou ainda mais tenso porque Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, estão presos e sem comunicação entre si. Investigadores trabalham com a expectativa de que um dos dois quebre o silêncio primeiro, provocando um efeito dominó sobre os demais envolvidos no esquema de propinas estimado em R$ 146 milhões.
O ponto mais sensível de uma eventual delação envolve o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Conforme revelado pelo jornalista Gustavo Negreiros no Jornal das 6 da 96 FM Natal, apenas três pessoas participaram de uma reunião decisiva na casa de Vorcaro: o banqueiro, Paulo Henrique Costa e Moraes, que teria dado aval às operações envolvendo o BRB. Dois dos três já estão presos.
Há, porém, um obstáculo. Segundo relatos de bastidores detalhados no mesmo programa, a Procuradoria Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, vem dificultando as tratativas de delação, o que amplia a tensão institucional e pode retardar os desdobramentos do caso.
A pergunta que domina Brasília é direta: o que Paulo Henrique Costa dirá sobre o que aconteceu naquela sala? Se a delação avançar, o escândalo do Banco Master pode se tornar a maior crise do Judiciário brasileiro desde a Lava Jato.