O petróleo disparou nesta terça-feira (21) e voltou a flertar com a marca de US$ 100 por barril. O Brent, referência global, avançou 4,25%, a US$ 99,49. Na máxima do dia, bateu US$ 99,95. O motivo é direto: o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã está prestes a expirar sem que as partes tenham chegado a qualquer acordo definitivo, e o mercado já precifica a retomada das hostilidades.
A trégua, anunciada por Trump no início de abril, nasceu frágil e só piorou. O Irã acusou Israel de violar o acordo ao bombardear o Hezbollah no Líbano, fechou novamente o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, e deixou cerca de 800 navios petroleiros parados. Quando as negociações no Paquistão fracassaram no dia 12, o Brent explodiu para US$ 102,60. Trump respondeu ameaçando bloquear navalmente o Estreito e interceptar quem pagasse pedágio ao Irã. Teerã não recuou. A diplomacia entre os dois países se resume, hoje, a ameaças públicas trocadas por redes sociais.
Para o Brasil, petróleo a US$ 100 significa pressão direta sobre gasolina, diesel e inflação. A Petrobras usa o Brent como referência, e a defasagem com os preços internos pode forçar reajustes. Toda a cadeia logística do país, do frete ao alimento, sente o impacto. Do outro lado, as receitas de royalties e os lucros da estatal tendem a engordar, mas o benefício fiscal não compensa o custo social de combustível mais caro.
O cenário à frente é de volatilidade extrema. Sem acordo sólido entre Washington e Teerã, analistas projetam que o barril pode superar US$ 120 em caso de escalada total. O mundo assiste a dois governos jogando pôquer com o preço da energia global, e quem paga a aposta é o consumidor comum, de Natal a Nova York.