O Governo do Rio Grande do Norte limitou R$ 306 milhões em despesas após frustração de receita no primeiro bimestre de 2026. Dos R$ 3 bilhões estimados, o estado arrecadou R$ 2,7 bilhões — apenas 89,9% do previsto. A própria Secretaria da Fazenda apontou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, aprovada pelo governo Lula, como uma das causas do rombo, por impactar tanto a receita direta quanto o Fundo de Participação dos Estados.
O dado mais revelador, no entanto, é o silêncio político. Conforme destacado no Jornal das 6 da 96 FM Natal, o governo estadual não fez qualquer protesto público contra a medida federal, ao contrário do que ocorreu quando o governo Bolsonaro reduziu o imposto sobre a gasolina. Na época, a gestão estadual apontou abertamente o prejuízo à arrecadação. Agora, com aliados no Planalto, a postura é de omissão.
O cenário agrava um quadro que já era preocupante. O orçamento de 2026 já previa déficit de cerca de R$ 1 bilhão, com receitas de R$ 25,6 bilhões e despesas de R$ 27,2 bilhões. Segundo fontes da própria Secretaria da Fazenda ouvidas pelo programa, parte dos números da peça orçamentária já havia sido "maquiada" para amenizar o tamanho real do rombo. Com a frustração já no primeiro bimestre — período historicamente de arrecadação alta —, a tendência é de agravamento ao longo do ano.
O problema vai além da isenção do IR. A população endividada consome menos e deixa de pagar impostos, a inflação corrói o poder de compra, empresas fecham ou entram em recuperação judicial e o crescimento econômico do estado é limitado. A rigidez das despesas com previdência e a dependência de transferências federais completam um quadro de vulnerabilidade fiscal que o corte de R$ 306 milhões apenas começa a enfrentar.
Enquanto isso, como observou o Jornal das 6, o pré-candidato do PT Cádier celebra em suas redes sociais a isenção do IR como conquista popular — a mesma medida que ajuda a abrir o buraco nas contas do estado que ele pretende governar.