O Rio Grande do Norte limitou R$ 306 milhões em despesas após arrecadar apenas 89,9% do previsto no primeiro bimestre de 2026. A própria Secretaria da Fazenda apontou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, aprovada pelo governo Lula, como uma das causas. O orçamento estadual já previa déficit de R$ 1 bilhão — agora, a situação tende a piorar.
O caso do RN não é isolado. Estados nordestinos, historicamente dependentes do Fundo de Participação dos Estados (FPE), são os mais vulneráveis a decisões unilaterais do governo federal que reduzem a base tributária. Quando Brasília concede isenções para ganhar votos, quem paga a conta são os governadores — que, por coincidência, quando são aliados, fingem que o problema não existe.
A hipocrisia é flagrante. Quando Bolsonaro reduziu o imposto sobre a gasolina, governadores do Nordeste foram a público denunciar o impacto. Agora, com Lula fazendo o mesmo no IR, o silêncio é ensurdecedor. A conclusão é óbvia: para esses gestores, a saúde fiscal do estado importa menos do que a saúde da aliança política. Quem sofre é o cidadão que depende de serviços públicos cada vez mais precários.