O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reconheceu nesta quinta-feira (23) que errou ao citar a homossexualidade como possível "acusação injuriosa" contra o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo). A declaração foi feita em publicação no X (antigo Twitter), onde o decano da Corte escreveu: "Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro".
A fala que motivou o pedido de desculpas ocorreu durante entrevista ao portal Metrópoles, na qual Gilmar comentava sobre o vídeo publicado por Zema em que ministros do STF são representados por fantoches. Na ocasião, o ministro utilizou a orientação sexual como exemplo retórico do que seria uma ofensa, associando homossexualidade a algo depreciativo.
A declaração gerou reação imediata. A oposição no Congresso passou a articular um novo pedido de impeachment contra Gilmar, e juristas lembraram que, pelo próprio entendimento do STF (ADO 26 e MI 4.733, de 2019), homofobia é equiparada ao crime de racismo, sendo inafiançável e imprescritível. Nesse enquadramento, o simples pedido de desculpas não extinguiria a punibilidade.
No entanto, chama atenção o que o ministro não disse. Gilmar Mendes pediu desculpas pela fala homofóbica, mas não se retratou por outra declaração feita no mesmo dia: a zombaria ao sotaque mineiro de Zema. Em entrevista ao Jornal da Globo, o decano afirmou que o ex-governador "fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva". Sobre esse episódio, nenhuma palavra de retratação.
A seletividade do pedido de desculpas levanta questionamentos. Ridicularizar o sotaque de uma região é, pelos mesmos critérios que o próprio STF aplica em outros contextos, uma forma de xenofobia. Zema reagiu durante coletiva em Anápolis (GO): "Se critica meu sotaque, é porque não tem o que criticar. Quando ele zomba do meu jeito de falar, está zombando de milhões de mineiros".