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CPI do Crime Organizado pode entrar para história como a mais insignificante da história

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), geralmente, não rende resultados jurídicos e policiais práticos. A "investigação" conduzida por parlamentares federais, geralmente, tem como foco apenas publicizar o que já foi descoberto pela Polícia Federal ou Ministério Público Federal e gerar desgaste no governo. Mas o que dizer da CPI do Crime Organizado, que nem isso consegue produzir?

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que desobrigou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, de comparecer à CPI do Crime Organizado virou, na prática, mais do que um revés pontual para a comissão: foi o gancho perfeito para escancarar o que já se desenhava nos bastidores. Uma CPI que deveria mirar os tentáculos do crime organizado, sua infiltração e suas rotas de influência, passa a maior parte do tempo tentando justificar a própria relevância.

O problema não está apenas na ausência de um convocado de peso. Está no conjunto. Até aqui, a CPI tem colecionado reuniões esvaziadas, baixa presença, pouca tensão investigativa e um roteiro que parece incapaz de avançar além do básico. Quando a pauta murcha e a comissão não sustenta agenda contínua de oitivas estratégicas, a mensagem que fica é simples: o crime organizado segue operando enquanto a investigação se arrasta.

Em uma comissão com esse nome, o “ponto central” não pode ser periférico. Investigar tentáculos significa encarar conexões: quem financia, quem facilita, quem lava, quem abre portas no setor público e privado, quem garante logística, armas e proteção. Sem isso, a CPI corre o risco de virar vitrine de discursos, e não instrumento de apuração e responsabilização.

O esvaziamento da pauta, somado à dificuldade em atrair depoentes capazes de iluminar as estruturas do problema, transforma a CPI em um evento burocrático, com pouco impacto real. O resultado é uma contradição incômoda: cresce a expectativa pública por respostas, mas a comissão entrega pouco, adiando o enfrentamento do que deveria ser seu alvo principal.

Se a CPI quiser escapar desse roteiro de irrelevância, precisará reorganizar prioridades, garantir quórum, blindar o calendário de sessões e convocar personagens centrais para mapear, com método e dados, as redes do crime organizado. Caso contrário, a comissão tende a encerrar trabalhos com um relatório volumoso e conclusões previsíveis — e com o essencial ainda intocado.

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