O governo Lula prepara mais um programa para renegociar dívidas, agora mirando cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. A promessa é tentadora, descontos que podem chegar a 80%. Mas a pergunta que ninguém responde direito é simples, quem vai pagar essa conta?
A ideia do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, é usar dinheiro público como garantia para convencer os bancos a toparem o acordo. Na prática, o Tesouro entra como fiador. Se o devedor não pagar, o prejuízo não fica só com o banco. Vai parar no colo do governo. Ou seja, no bolso de quem paga imposto.
O cenário ajuda a explicar a pressa. Hoje, quase 30% da renda das famílias já vai para dívidas, segundo o Banco Central. E o juro do cartão beira o absurdo, mais de 400% ao ano. O governo quer dar alívio, mas faz isso jogando risco para frente. No fim, pode até aliviar agora, mas a conta sempre aparece.