O ex-prefeito do Recife, João Campos, apareceu guardando um cordão de ouro antes de um evento público. Um gesto simples, automático, mas que escancara a realidade que muita gente tenta negar. Quando o assunto é segurança, ninguém confia.
A explicação foi a de sempre, disse que tira a corrente porque atrapalha o microfone nas gravações. Mas a pergunta fica. Se já sabe que vai gravar, por que sair de casa com o cordão? A resposta está no comportamento. Ele mesmo sabe o risco. E age para não virar alvo.
Aí entra a contradição. É o mesmo campo político que defende o discurso de que o crime é fruto da desigualdade, que relativiza roubo, que já tratou assaltante como alguém que quer “tomar uma cervejinha”. Mas na prática, ninguém quer pagar para ver. Nem eles. Porque no Brasil real, o medo fala mais alto que o discurso.