Em depoimento prestado à CPI do Crime Organizado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou esclarecimentos sobre uma reunião realizada no Palácio do Planalto com a presença do presidente Lula e do acionista do Banco Master, Daniel Vorcaro. O encontro, ocorrido em dezembro, teve como pauta a situação da instituição financeira perante o mercado e órgãos reguladores.
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Participantes e dinâmica da reunião
Segundo Galípolo, a convocação partiu da chefia de gabinete da Presidência da República. Além do presidente Lula e de Daniel Vorcaro, participaram do encontro o empresário Augusto Lima, o ex-ministro Guido Mantega e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Durante a audiência, Vorcaro teria apresentado uma narrativa de que o Banco Master sofria perseguição por parte de concorrentes no mercado financeiro devido a métodos inovadores que estariam gerando incômodo. Galípolo relatou aos parlamentares que a orientação dada pelo presidente Lula foi de que o caso deveria ser tratado estritamente sob o viés técnico pelo Banco Central, garantindo autonomia para investigar quem fosse necessário.
Interlocução com ministros do STF
Questionado sobre possíveis diálogos com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), especificamente sobre o ministro Alexandre de Moraes, o presidente do BC confirmou ter mantido reuniões com magistrados da Corte. Entretanto, afirmou que as pautas versavam sobre questões sistêmicas e temas relativos ao sigilo bancário e financeiro de autoridades e seus familiares, no contexto de crises de segurança e ataques reputacionais na internet.
Sigilo e movimentações financeiras
Um dos momentos centrais do depoimento envolveu o questionamento sobre os R$ 80 milhões pagos pelo Banco Master ao escritório da família de Alexandre de Moraes. Galípolo evitou confirmar se esse montante específico foi objeto de conversas diretas com o ministro.
O presidente da autoridade monetária justificou o silêncio citando seu dever fiduciário, que o obriga a zelar pelo sigilo das informações financeiras de cidadãos e autoridades públicas a que tem acesso no cargo. Ele reforçou que qualquer detalhe sobre extratos ou movimentações de representantes públicos deve ser mantido sob reserva legal.