O Supremo passou anos dizendo que a maior ameaça à democracia eram as fake news. Mas a percepção da população hoje é outra. Pesquisa do Meio/Ideia mostra que 42,5% dos brasileiros apontam a concentração de poder no Judiciário como o principal risco. Fake news aparecem com apenas 9,7%.
O dado não vem do nada. Desde 2019, o STF ampliou atuação, abriu inquéritos, censurou conteúdos e até bloqueou rede social durante eleição. Tudo sob o argumento de proteger a democracia. No caminho, decisões polêmicas, relações questionadas e episódios como o caso do Banco Master passaram a desgastar a imagem da Corte.
O resultado está aí. O tribunal cresceu, ocupou espaço e concentrou poder. Só que, aos olhos de boa parte da população, passou do ponto. No fim, o que era para ser defesa virou desconfiança. E hoje, para muita gente, o problema não é mais a fake news. É quem diz combatê-la.