O custo do crédito bancário no Brasil alcançou o nível mais alto em nove anos durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que aponta reportagem da Gazeta do Povo publicada nesta quarta-feira (9/4), que questiona o impacto da política econômica do governo sobre o bolso dos brasileiros.
O cenário reflete a combinação entre a taxa Selic elevada — mantida em patamar restritivo pelo Banco Central para conter a inflação — e os spreads bancários, que ampliam a distância entre o juro básico e aquele efetivamente cobrado dos consumidores e empresas. Na prática, quem toma crédito no Brasil paga hoje mais do que em qualquer momento desde 2017.
A situação cria um paradoxo político para Lula, que historicamente construiu sua narrativa sobre a defesa do poder de compra das classes populares. Com o crédito mais caro, o consumo é comprimido, o endividamento das famílias cresce e a atividade econômica desacelera — justamente em ano eleitoral, quando o governo precisaria de indicadores favoráveis.
O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, tem explorado a contradição. Em entrevista ao UOL, o governador de Goiás disse que "Lula faz crítica ao governo como se ele fosse a oposição" e questionou: "O juro está alto. A culpa é do cachorro? Você é o presidente, não é o ombudsman".
Do outro lado, o Planalto atribui a responsabilidade ao Banco Central e ao ciclo de alta dos juros iniciado ainda em 2024. Mas a tese encontra resistência entre economistas que apontam o descontrole fiscal como principal motor da desconfiança do mercado — o que, por sua vez, pressiona a Selic para cima.
O fato é que, a sete meses das eleições, os juros bancários recorde se tornaram uma das maiores vulnerabilidades da campanha pela reeleição.
Com informações da Gazeta do Povo e UOL.