A deputada federal Socorro Neri (PP-AC) afirmou, nesta quarta-feira (8), que pretende acionar a Lei Maria da Penha contra a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, Erika Hilton (PSOL-SP). A declaração foi feita durante sessão do colegiado marcada por confrontos verbais e tumulto. Assista no vídeo abaixo:
O embate começou quando parlamentares da oposição tentaram aprovar uma moção de repúdio contra a conduta de Hilton à frente da comissão. Socorro Neri afirmou que a colega possui "a força de um homem" e disse temer agressão física. A deputada acreana também acusou Hilton de adotar tom agressivo nas sessões e de incitar a militância de esquerda contra deputadas conservadoras.
A oposição questionou ainda publicações de Hilton nas redes sociais em que a parlamentar usou o termo "imbeCIS" para responder a críticas. Hilton deixou a cadeira da presidência para se defender. Afirmou que as postagens eram direcionadas ao "esgoto da sociedade" e a pessoas que lhe enviam ameaças de morte pela internet, negando que os textos fossem voltados contra colegas parlamentares.
Tumulto e intervenção da Polícia Legislativa
A sessão foi interrompida após a presença de militantes no plenário agravar a tensão. Um visitante proferiu ofensas contra a deputada Clarissa Tércio (PP-PE). O deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) reagiu, derrubou o celular do homem e exigiu sua retirada.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) tentou inicialmente evitar a expulsão, mas recuou diante da escalada da confusão. A Polícia Legislativa foi acionada e retirou o visitante do plenário.
A sessão foi encerrada por iniciativa da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) para que parlamentares acompanhassem Clarissa Tércio ao Departamento de Polícia Legislativa da Câmara, onde foi registrado boletim de ocorrência.
Contexto
Erika Hilton preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher desde março de 2026, quando foi eleita com 11 votos. Ela é a primeira mulher trans a ocupar o cargo. Desde a posse, a parlamentar enfrenta resistência da bancada conservadora, que já tentou articular sua substituição por meio de projetos que restringiriam a presidência do colegiado a mulheres cisgênero.