Nas últimas semanas precisei ir ao consultório da minha dentista Christianne Rosado, sempre por volta do meio-dia. Nas três vezes que fui, na saída me deparei com o mesmo casal. Dois adolescentes. Fardados. Saindo da escola com aqueles minutos roubados do dia para ficarem juntos.
Não tem nada de obsceno no que vi. Pelo contrário. É carinho, é desejo, é aquela troca silenciosa que só a adolescência sabe fazer com essa intensidade. A menina com cabelos grandes, bonitinha. O menino feioso, mas isso pouco importa, porque ela claramente não liga nem um pouco para isso. E ele, com a sorte que ainda não sabe que tem.
Os dois se agarrando na praça como se o mundo não existisse. Como se o sinal não fosse fechar, a aula não fosse recomeçar e o tempo não fosse passar. E de certa forma, naquele momento, não existe mesmo.
Confesso que fiquei com aquela inveja boa. A inveja de um tempo que não volta. De quando o amor cabia numa praça em quinze minutos entre uma aula e outra. De quando o coração batia mais forte só de ver a pessoa do outro lado da calçada.
Mas saí de lá orgulhoso por eles. Porque namoro saudável, carinho de verdade e adolescência vivida com intensidade são coisas cada vez mais raras. Que durem. Que aproveitem. A adolescência é mágica e passa rápido demais.