Rosas di Maria 2
lula flavio caiado zema
politica

Existe um ‘humor sombrio’ no eleitorado que afeta também a oposição

Profissionais frios e calculistas que lidam com pesquisas de intenção de voto dizem que as eleições trarão um resultado de 52 a 48 “para alguém”. Quem? Ainda não sabem.

O que eles aprenderam de recentes episódios da história é que eleições não têm automaticamente o dom de alterar “grandes correntes” que formam comportamentos. O exemplo em questão foi a vitória de Dilma em 2014 – que pouco freou o fenômeno de indignação social logo depois simbolizada pela Lava Jato (sem a qual é difícil explicar o impeachment dela).

Assumem que a “grande corrente” atual não é de bom augúrio para qualquer candidato. Uma grande quantidade de pessoas enxerga a combinação de impostos, burocracia e a insegurança (jurídica e pública) como situação que “ninguém muda” − ou seja, também a oposição como parte do “sistema”. Os problemas de Flávio Bolsonaro antigos e o mais novo, relacionado a Vorcaro, se encaixam aí.

Ao longo da linha do tempo verifica-se o aumento do descrédito em relação a instituições, especialmente as que fazem parte direta do sistema político. A novidade nesse fenômeno generalizado é o grau desse descrédito em relação ao Judiciário, e o óbvio perigo que isso representa. Num processo que se intensifica, segundo as pesquisas, suas decisões são vistas como simples parte do jogo político, sem legitimidade.

A baixa “popularidade” do STF registrada nos levantamentos indica um cenário preocupante que as eleições parecem que vão agravar. É a perspectiva de que a já irreparável distorção na relação entre os poderes leve a “afrontas” que serão respondidas com “afrontas”. A possibilidade de algum tipo de “desobediência civil” já está no radar de quem eventualmente teria de garantir lei e ordem.

Um ponto que intriga os pesquisadores é a frequência com que a palavra “moral” surge nos tais levantamentos qualitativos. “Moral”, nesse contexto, entendida como falta de. Briga-se, xinga-se, persegue-se e ganham tração comportamentos na selvageria de redes sociais sem qualquer limite -- situação que muito se lamenta, mas à qual acostuma-se. Como se o País tivesse perdido qualquer Norte

Esse “humor sombrio” é função do momento, do cotidiano, ou tem aí algo mais profundo? É o ponto que as pesquisas não conseguem responder. Como entender isso num país com tantas potencialidades (e agraciado com oportunidades até mesmo na bagunça geopolítica)?

Talvez seja a percepção de estagnação relativa. Isto não está no “pensar”, mas provavelmente no “sentir” que crescemos muito aquém do necessário, que não conseguimos ser o que poderíamos. E o medo de que eleições trazem trocas, mas não mudanças.

William Waack - Estadão

Gostou desta notícia?
Participe do nosso grupo no WhatsApp e fique por dentro de todas as novidades!
580X400_BANNER.gif 320 x 100px.png 626x522px.gif IRN-campanha-check-up-masculino-blog-do-gustavo-negreiros-mobile-400x400px.gif BANNERS-GN_317X264_ORATHORIA.gif BANNER_400X400_GUSTAVO.png 96 - FM - depois do post

0 comentários para "Existe um ‘humor sombrio’ no eleitorado que afeta também a oposição"

Deixe uma resposta para essa notícia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/1000.


Posts relacionados

Anuncie com a gente Documento com valores para anúncio

Mais lidas

  1. 1

    [VIDEO] Frustração no RN: Lula pede desculpas por inaugurar túnel de água que não tem água

  2. 2

    Gilka da Mata se aposenta e o RN pode respirar aliviado

  3. 3

    [VIDEO] No RN, Lula diz que não conhece Cadu, pré-candidato do PT ao Governo: "Não conheço essa pessoa"

  4. 4

    [VIDEO] O carão de Janja na Estridente Isolda Dantas

  5. 5

    O novo apelido de Michelle Bolsonaro na direita após atrito com Flávio

BLOG 360X96.png