O senador Renan Calheiros levou Gabriel Galípolo ao momento mais constrangedor da sessão na CAE ao apresentar evidências documentais que conectam Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio de Souza. Calheiros revelou que, em 2019, Vorcaro enviou uma carta diretamente a Paulo Sérgio reclamando de exigências feitas pelo BC para liberar o banco, à época chamado Banco Máxima, a operar crédito consignado para servidores e aposentados.
O que se seguiu à carta torna o documento ainda mais grave. Pouco tempo depois, a inabilitação foi revertida, Vorcaro firmou convênio com o INSS e começou a operar crédito consignado a partir de 2020, abrindo a porta para o esquema bilionário que hoje é investigado. Calheiros também demonstrou que Paulo Sérgio participou da decisão que autorizou o funcionamento do próprio Master.
Questionado sobre o papel do ex-diretor na reversão da inabilitação durante a gestão de Roberto Campos Neto, Galípolo se limitou a dizer que "não tinha nenhuma informação nesse sentido" e se escudou nos procedimentos formais da auditoria interna. A resposta evasiva não impediu que o senador concluísse perante a comissão que a carta "reafirma a relação antiga de Vorcaro com Paulo Sérgio e com o Banco Central". O rastro documental está posto e o silêncio de Galípolo fala por si.