A seleção de Marrocos que o Brasil enfrenta neste sábado (13) na estreia da Copa do Mundo não tem nada a ver com o time que os brasileiros golearam por 3 a 0 no único confronto entre as duas equipes em um Mundial, lá em 1998, na França. Aquele era um Marrocos figurante, que chegava a Copas para cumprir tabela. O Marrocos de 2026 é o sétimo colocado do ranking da FIFA, semifinalista do último Mundial e dono de uma identidade tática que poucos times africanos alcançaram na história.
No Catar, em 2022, os Leões do Atlas eliminaram Espanha e Portugal no mata-mata e só pararam na semifinal, quando perderam para a França por 2 a 0. Aquela campanha não foi um acidente. Foi o resultado de um projeto de longo prazo que uniu jogadores formados na Europa, como Achraf Hakimi, Hakim Ziyech e Sofiane Amrabat, a uma disciplina tática implacável comandada pelo técnico Walid Regragui, que segue no cargo para este Mundial.
A força de Marrocos está na defesa. A seleção sofreu apenas um gol em todo o mata-mata da Copa de 2022, e a filosofia de Regragui prioriza blocos compactos, transições rápidas e eficiência nas bolas paradas. Para o Brasil, que depende da criatividade de Vinicius Júnior e Raphinha para furar retrancas, o desafio é encontrar espaços contra uma equipe que sabe sofrer e contra-atacar com precisão cirúrgica.
Há também um componente emocional que pesa. Para Marrocos, enfrentar o Brasil na abertura do grupo é uma vitrine e uma oportunidade de confirmar que 2022 não foi exceção. Uma vitória consolidaria a seleção como potência do futebol mundial. Para os marroquinos, não há nada a perder. Para o Brasil, que carrega a obrigação do hexa e a pressão de uma torcida impaciente, tudo pode desmoronar com um tropeço logo de cara.
Ancelotti reconheceu a dificuldade na coletiva de véspera: "Marrocos é uma seleção muito forte, muito organizada. Temos que ter respeito e medo. O medo é bom, porque te faz trabalhar melhor." A frase pode soar incomum para quem espera bravatas antes de uma estreia, mas revela a mentalidade de um técnico que venceu cinco Champions League e sabe que subestimar qualquer adversário é o primeiro passo para a derrota. O Brasil não pode se dar a esse luxo.