Com baixo público presencial e virtual, mas com linguagem de mobilização de guerra, a Fundação Maurício Grabois, braço de doutrinação do Partido Comunista do Brasil, realizou o "Seminário Guerra Cultural e Eleições em 2026", acompanhado pela Gazeta do Povo. O evento, marcado pelo discurso de "nós contra eles" e pelo uso recorrente de palavras como "guerra" e "batalha" para descrever o cenário eleitoral, foi inteiramente custeado com recursos públicos provenientes do Fundo Partidário.
A Fundação Maurício Grabois tem como objetivo declarado "desenvolver a teoria marxista no Brasil e contribuir para a formulação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado ao socialismo" e é financiada exclusivamente pelo Fundo Partidário. Esse fundo é composto por multas aplicadas pela Justiça Eleitoral e doações, mas tem como principal origem as dotações orçamentárias da União — ou seja, o dinheiro dos impostos pagos por todos os brasileiros, incluindo aqueles que não compartilham das convicções marxistas, comunistas ou socialistas do partido.
A legislação eleitoral define as fundações partidárias precisamente como entidades de "doutrinação", o que torna o termo tecnicamente adequado para descrever o evento. O seminário reflete uma estratégia mais ampla do PCdoB para as eleições de 2026, em que o partido já aprovou resolução interna conclamando militantes a se engajar na reeleição de Lula e a "desmascarar" a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O debate sobre o uso de dinheiro público para financiar esse tipo de mobilização político-ideológica tende a se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.