O senador Eduardo Girão (Novo-CE) usou a tribuna do Senado Federal nesta semana para cobrar transparência nas investigações do caso Banco Master e denunciar o que classificou como uma articulação dentro do Supremo Tribunal Federal para beneficiar Daniel Vorcaro e seus familiares. Em pronunciamento inflamado, o parlamentar afirmou que o ministro Nunes Marques deveria ter se declarado impedido de atuar no caso após a revelação, pela própria Polícia Federal, de sua proximidade com o senador Ciro Nogueira, apontado como amigo e companheiro de viagens de Vorcaro. "O ministro Nunes Marques viajou no avião do Vorcaro e não se declara impedido", afirmou Girão.
O senador também questionou a demora na colaboração premiada de Daniel Vorcaro, cujas duas tentativas de acordo foram rejeitadas ou consideradas incompletas. Segundo Girão, a segunda tentativa chegou a envolver novas denúncias com implicações graves, incluindo, de acordo com a revista Veja, o nome do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e lideranças do PT da Bahia, com destaque para Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula. "Por que a colaboração premiada de Daniel Vorcaro vem se arrastando por tanto tempo?", questionou o senador diretamente do plenário.
Girão demonstrou preocupação com um possível placar de 2 a 2 na Segunda Turma do STF sobre a situação dos parentes de Vorcaro. O ministro Toffoli já se declarou suspeito e não vota. Em caso de empate, o resultado beneficiaria os familiares do investigado, que hoje estão presos preventivamente por decisão dos ministros André Mendonça e Luiz Fux. O senador citou ainda matéria publicada pelo jornal O Globo denunciando suposta pressão do ministro Gilmar Mendes sobre Nunes Marques para mudar o resultado do julgamento. "Isso é gravíssimo, senhor presidente. Gravíssimo", repetiu Girão na tribuna.
Para o senador, a saída para o impasse passa pela abertura do sigilo das investigações em curso. "Tem que abrir, tem que derrubar esse segredismo. O Brasil quer saber", disse. Girão elogiou a postura do ministro André Mendonça, classificando-o como discreto, técnico e comprometido com o processo, ao contrário do que descreveu como um hábito de outros ministros de conceder entrevistas e aparecer em eventos políticos. "Ele encara essa missão no Supremo como uma missão de vida e não como meio de vida", afirmou.