A privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), realizada em 2018 durante o governo do PT na Bahia, é apontada como a origem do modelo de crédito consignado que impulsionou os negócios de Augusto Lima e, posteriormente, do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem da revista Piauí, o empresário Augusto Lima adquiriu a Ebal por R$ 15 milhões, após o governo estadual reduzir drasticamente o valor de venda e assumir o passivo da empresa. Com o negócio, ele passou a controlar o Credcesta, cartão consignado voltado aos servidores públicos da Bahia.
Pouco depois da privatização, um decreto ampliou o uso do Credcesta para qualquer estabelecimento comercial e aumentou a margem consignável dos servidores. O modelo se transformou em um negócio altamente lucrativo e serviu de base para a parceria entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro, iniciada em 2019, que ajudou a expandir a atuação do Banco Master no mercado de crédito consignado.
A Polícia Federal aponta que Augusto Lima manteve proximidade com o senador Jaques Wagner (PT-BA), então uma das principais lideranças do governo baiano. A investigação cita mensagens e contatos entre os dois, além de supostas atuações parlamentares em temas de interesse do Banco Master. Wagner nega ter recebido vantagens indevidas ou atuado em favor do banco.