O esquema investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte não se sustentava apenas em laranjas e empresas de fachada. Segundo as apurações que embasaram a Operação Emirados, deflagrada nesta terça-feira (23), o grupo liderado por um empresário do setor de postos de combustíveis também recorria à intimidação para manter o controle sobre bens, pessoas e informações sensíveis.
De acordo com os investigadores, familiares, funcionários e colaboradores eram alvo de ameaças e de atos de violência patrimonial como forma de garantir o silêncio e impedir que a estrutura real do esquema viesse à tona. A estratégia de coerção funcionava como uma segunda camada de proteção para a organização, complementando o uso de interpostas pessoas para o registro formal de bens e empresas.
O patrimônio ocultado pelo grupo inclui imóveis em condomínio de alto padrão em Parnamirim, veículos de luxo, uma lancha e participações societárias em empresas registradas em nome de terceiros, com indícios de controle de fato pelos investigados. A aquisição e ostentação desses bens eram incompatíveis com a capacidade econômica dos titulares formais, o que chamou a atenção das autoridades durante a investigação.
O principal alvo foi preso durante a operação, que cumpriu 33 mandados de busca e apreensão em Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Senador Georgino Avelino.