A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (25/6), mirou ex-executivos das Lojas Americanas, integrantes do grupo controlador da companhia e executivos de alguns dos maiores bancos privados do país.
A notícia é do Metrópoles. A ação policial foi deflagrada para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis que revelaram um rombo estimado em R$ 24 bilhões nas Lojas Americanas — considerado um dos maiores escândalos da história do mercado financeiro brasileiro.
As investigações apontam que o esquema teria sido estruturado para ocultar a real situação econômico-financeira da empresa por meio da manipulação dos balanços contábeis.
Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam conhecimento das supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de vários anos e da forma como elas eram registradas nas demonstrações financeiras da companhia.
Ao todo, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A operação conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Por determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi autorizado o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. De acordo com a PF, o montante corresponde à estimativa das supostas fraudes apontadas pelos laudos técnicos periciais produzidos durante a investigação e busca garantir eventual ressarcimento dos prejuízos.
Entenda o caso
As investigações indicam que as supostas manipulações contábeis teriam sido praticadas ao longo de vários anos para esconder a real situação econômico-financeira da Americanas.
De acordo com os investigadores, o esquema teria permitido inflar artificialmente indicadores financeiros da companhia, ocultando seu nível de endividamento e transmitindo ao mercado uma percepção incompatível com a realidade.
Dois eixos concentram as apurações. O primeiro envolve operações conhecidas como risco sacado, modalidade em que instituições financeiras antecipam pagamentos a fornecedores. A investigação busca esclarecer se parte dessas operações foi registrada contabilmente de forma capaz de reduzir artificialmente a percepção da dívida da empresa.
O segundo eixo diz respeito às chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC). Conforme a Polícia Federal, há indícios de que parte dos valores lançados nessa rubrica corresponderia a incentivos comerciais sem respaldo econômico efetivo, contribuindo para a elaboração de demonstrações financeiras supostamente incompatíveis com a realidade da companhia.
A investigação também apura se a valorização artificial dos resultados financeiros beneficiou administradores da empresa, que recebiam remuneração variável atrelada ao desempenho da companhia, além de investidores que negociaram ações durante o período das supostas irregularidades.