A influenciadora digital Virgínia Fonseca, dona de quase 57 milhões de seguidores no Instagram e à frente de um império empresarial que faturou mais de R$ 1 bilhão em 2025, é alvo de uma investigação da Polícia Federal por possível lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. A informação foi revelada pela revista Piauí, em reportagem intitulada "A Tigresa dos Algoritmos", publicada na terça-feira (2). A apuração se baseia em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações milionárias consideradas atípicas em contas vinculadas à influenciadora e às suas empresas.
No centro da investigação está a Talismã Digital, empresa mantida por Virgínia e pelo ex-marido Zé Felipe, que recebeu R$ 21,4 milhões entre março e setembro de 2024, distribuídos em 62 transferências via Pix e TED — uma média de R$ 345 mil por operação. Desse montante, R$ 17,7 milhões teriam sido enviados em apenas cinco remessas pela AMP Pay Marketing e Negócios, empresa registrada no Simples Nacional, regime tributário que permite faturamento máximo de R$ 4,8 milhões por ano. A incompatibilidade entre o porte da empresa remetente e o volume dos depósitos levou o banco Santander a comunicar as operações ao Coaf como suspeitas. No total, três instituições bancárias diferentes emitiram alertas sobre as movimentações.
A Polícia Federal voltou seu olhar para Virgínia após os documentos reunidos pela CPI das Bets, encerrada em junho de 2025. A comissão parlamentar havia convocado a influenciadora para explicar contratos publicitários firmados com casas de apostas, em especial com a Esportes da Sorte. O relatório final da CPI recomendava o indiciamento de 16 pessoas, incluindo Virgínia, mas foi rejeitado pela maioria dos senadores. Ainda assim, os RIFs anexados ao processo chamaram a atenção dos agentes federais, que decidiram aprofundar a análise das transações de forma independente.
O império de 38 empresas
Outro ponto que concentra a atenção dos investigadores é a estrutura empresarial construída em torno de Virgínia. Levantamentos indicam que pelo menos 38 empresas ativas estão registradas em seu nome, fundadas entre 2021 e 2026. A maioria foi aberta entre 2023 e 2024, período que coincide com sua entrada como sócia na WePink, a marca de cosméticos que se tornou a joia da coroa de seus negócios. Além de Virgínia, também estão sob análise as operações envolvendo seus sócios na WePink — o casal Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile — e o empresário chinês Chaopeng Tan, que integra o grupo econômico.
A defesa de Virgínia Fonseca nega qualquer irregularidade e afirma que todas as movimentações financeiras têm origem lícita e estão devidamente documentadas. Até o momento, a influenciadora não foi formalmente indiciada ou denunciada — o caso permanece na fase de investigação. Virgínia não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo da reportagem, mas utilizou os Stories do Instagram na tarde de terça-feira para relatar que estava com fortes dores de cabeça.
É importante destacar que a existência de uma investigação não significa culpa. A apuração da PF busca justamente esclarecer a origem e a destinação dos recursos, a legalidade da estrutura societária e a eventual ocorrência de crimes financeiros. O desfecho do caso dependerá das conclusões da Polícia Federal, que poderá ou não encaminhar o inquérito ao Ministério Público Federal para eventual oferecimento de denúncia.