Em 2025, quando os EUA impuseram sanções comerciais ao Brasil, Flávio Bolsonaro direcionou suas críticas ao STF, a Alexandre de Moraes e ao julgamento do ex-presidente Bolsonaro pela trama golpista. Agora, com a nova proposta de tarifação de 25%, a estratégia mudou completamente. Segundo apuração do Globo, o senador optou por focar exclusivamente em Lula, evitando menções ao Supremo.
A mudança não é casual. A avaliação da pré-campanha de Flávio é que associar o tarifaço ao STF permite que Lula monopolize a narrativa de "defensor da soberania nacional", bandeira que fortalece qualquer presidente em exercício. Ao direcionar o ataque ao próprio Lula, a ideia é transformar o petista de vítima em culpado.
"Essa tarifa é do Lula. É por causa das provocações dele com os EUA", repetiu Flávio em diferentes entrevistas e publicações nas redes. A frase é simples, direta e pensada para viralizar. O problema é que a realidade das relações comerciais entre dois países soberanos é mais complexa do que qualquer slogan de campanha.
Do ponto de vista eleitoral, a guinada faz sentido. Flávio precisa provar que é capaz de dialogar com Washington sem parecer subserviente, e precisa descolar o tarifaço da ideia de que sua visita a Trump causou a retaliação. A próxima semana será decisiva para saber se a estratégia funciona ou se o "Tariflávio" do PT vai colar.