O Brasil se tornou o único país do Mercosul afetado pela decisão da União Europeia de restringir a importação de produtos de origem animal. Enquanto Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para os países do bloco europeu, o Brasil foi retirado da lista de nações habilitadas.
A medida foi oficializada pela Comissão Europeia e atinge produtos como carne bovina, carne de frango, mel, peixes e outros itens de origem animal. Segundo os europeus, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
A decisão chama atenção porque os demais integrantes do Mercosul permaneceram aptos a exportar normalmente para a União Europeia. O bloco europeu afirma que a medida tem caráter exclusivamente sanitário e não está relacionada ao acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia.
O mercado europeu é um dos mais importantes para o agronegócio brasileiro. Em 2025, as exportações de carnes para os 27 países da União Europeia movimentaram cerca de US$ 1,8 bilhão. A carne bovina liderou as vendas, com mais de US$ 1 bilhão em receitas, seguida pela carne de frango, que somou aproximadamente US$ 763 milhões.
O governo brasileiro afirma que encaminhou toda a documentação solicitada pelas autoridades europeias ainda em outubro de 2025 e sustenta que não recebeu pedidos de complementação ou alertas sobre possíveis pendências nas informações apresentadas.
Apesar da oficialização da medida, as restrições ainda não entraram em vigor. O regulamento europeu passará a valer a partir de 3 de setembro de 2026, prazo que poderá ser utilizado pelo Brasil para tentar reverter a decisão e manter o acesso ao mercado europeu.
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