Pensado para ser um espaço permanente de homenagem à memória de crianças, o novo produto do Grupo Morada, o Jardim dos Pequenos, foi inaugurado na última sexta-feira (29). O lançamento aconteceu de forma simbólica, no Morada da Paz Emaús, durante o encerramento de uma edição especial do Chá da Saudade, feito com mães enlutadas que viveram perdas gestacionais ou infantis.
Ao longo de três encontros, realizados no mês de maio, as participantes encontraram um espaço de escuta, acolhimento e partilha de experiências. Alexsandra Souza, psicóloga responsável pela condução do grupo, conta que um dos aspectos mais importantes da iniciativa foi a validação de uma dor que muitas vezes não encontra reconhecimento social.
“Quando uma mulher descobre uma gestação, ela já começa a construir sonhos, planos e expectativas para aquela criança. Quando essa perda acontece, não é apenas uma vida que parte, mas também uma série de projetos e futuros imaginados que são interrompidos. É uma dor profunda, legítima e que precisa ser acolhida”, afirma.
Segundo ela, muitas participantes chegaram ao grupo acreditando que precisavam lidar com a dor sozinhas. Ao longo dos encontros, encontraram identificação e apoio na experiência de outras mães. “A partilha permitiu que sentimentos guardados por anos encontrassem espaço para existir. Muitas relataram que falar sobre seus filhos pela primeira vez de forma aberta foi libertador e curativo.”
Entre as mães que participaram do grupo, está Anne Michelle. Ela perdeu o filho Luís Eduardo há quase sete anos. Ela conta que o acolhimento do grupo e conhecer o jardim foram experiências transformadoras.
“Sempre acreditei que conseguiria lidar com essa dor sozinha, mas descobri a importância de ter um espaço para falar sobre ela. Ver outras mães compartilhando histórias parecidas me fez perceber que eu não estava sozinha. Quando conheci o Jardim dos Pequenos, foi um momento mágico, saber que existe um lugar pensado para homenagear meu filho é algo que vou levar para a vida inteira.”
Um jardim para cultivar memória
Localizado no Morada da Paz Emaús, o Jardim dos Pequenos foi concebido como um espaço de homenagem dedicado à memória de crianças que partiram precocemente, incluindo bebês que faleceram ainda durante a gestação.
Inspirado em uma tradição japonesa de reverência à memória infantil, o ambiente reúne esculturas que representam proteção, ternura, amor e permanência. Cada família poderá escolher uma peça para representar sua criança, criando um espaço coletivo de memória e afeto.
Mariana Simonetti, psicóloga do luto e idealizadora do projeto, explica que a iniciativa surgiu da necessidade de acolher uma dor frequentemente invisibilizada. “Queríamos criar um espaço que reconhecesse essas histórias e dissesse a essas mulheres que seus filhos existiram e continuam tendo um lugar na memória”, destaca.
Como forma de homenagem, as mães participantes do grupo receberam do Morada da Paz uma escultura para representar seus filhos no Jardim dos Pequenos.
As esculturas foram desenvolvidas pela ceramista Marina Pantoja, que participou da construção do projeto desde as primeiras etapas de concepção. “Quando fui conhecendo o projeto e entendendo o trabalho desenvolvido pelo Morada com o acolhimento ao luto, percebi a responsabilidade que aquelas peças carregavam. Não seriam apenas esculturas decorativas, mas símbolos capazes de representar memórias muito importantes para cada família”, relata a artista.
Os elementos escolhidos são anjos, meninos, meninas, corações, girassóis e borboletas, figuras frequentemente associadas à infância, à transformação e à permanência dos vínculos. “Buscamos símbolos que pudessem dialogar com diferentes experiências e sentimentos”, conta Marina.
Diário do Amor
Além do Jardim dos Pequenos, o Grupo Morada também lançou o Diário do Amor, uma extensão do Diário da Vida, livro desenvolvido para conduzir pessoas enlutadas no registro de memórias, histórias e sentimentos sobre um ente querido que faleceu.
A proposta do diário é utilizar a escrita como uma ferramenta de elaboração do luto, oferecendo às famílias um espaço íntimo e simbólico para transformar saudade em memória registrada. Nesta versão, o Diário do Amor foi pensado especialmente para famílias que vivenciaram perdas gestacionais ou infantis, permitindo que mães, pais e familiares possam escrever sobre a criança, registrar lembranças, sentimentos, sonhos e vínculos que permanecem.
O material reforça a importância de reconhecer essas histórias e legitimar afetos que, muitas vezes, não encontram espaço para serem compartilhados. Assim como o Jardim dos Pequenos, o Diário do Amor nasce como uma forma de cuidado, acolhimento e preservação da memória.
Joias Memoriais
Além do Jardim dos Pequenos, o Grupo Morada também passa a oferecer as Joias Memoriais, uma nova forma de homenagem permanente. Por meio de processos especializados, parte das cinzas ou materiais biológicos pode ser transformada em diamantes ou cristais memoriais, posteriormente lapidados e incorporados a joias personalizadas.
A proposta busca atender famílias que desejam manter uma representação física e afetiva da presença de seus entes queridos, transformando a memória em um símbolo de continuidade.
As iniciativas fazem parte do movimento do Morada da Paz de ampliar sua atuação para além dos serviços funerários tradicionais, criando espaços, rituais e experiências que auxiliem famílias na elaboração do luto e na preservação dos vínculos afetivos.
“O luto não é sobre esquecer. Os vínculos permanecem. O que muda é a forma como aprendemos a conviver com a saudade. Quando oferecemos espaços de memória e acolhimento, ajudamos as pessoas a reconhecer que o amor continua existindo, mesmo após a despedida”, destaca Yannina Martins, Analista de Produtos do Morada da Paz.
Ao apresentar o Jardim dos Pequenos, o Diário do Amor e as Joias Memoriais, o Morada da Paz reforça sua proposta de construir novas formas de cuidado, acolhimento e homenagem, reconhecendo que algumas presenças permanecem vivas nas histórias, nos afetos e nas memórias que continuam sendo compartilhadas.