A notícia que ocupou as discussões sobre segurança pública foi detalhada em reportagem do R7: o caso do exx-estagiário infiltrado do PCC no Ministério Público de São Paulo, que invadiu dados e extorquiu criminosos.
Segundo a reportagem, o ex-estagiário foi preso nesta quinta-feira (9) na Operação Infiltrados era um infiltrado do PCC na promotoria, acessou dados sigilosos e os usou para extorquir criminosos, aponta o Gaeco.
Além do ex-estagiário, foram presos um ex-policial civil e um chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas, no interior paulista, também suspeitos de ligação com o PCC.
O Gaeco aponta que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão feita pelo estagiário, que, meses antes, teria se infiltrado em uma das promotorias do MP-SP.
A investigação aponta que o estagiário usou bancos de dados e sistemas de pesquisa do MP e, com a ajuda de outros agentes públicos, teria identificado criminosos de alto poder econômico e, então, os extorquido em troca de suposta proteção nas investigações.
Entre esses outros agentes públicos, estariam um policial penal e um ex-policial civil, já expulso da Polícia Civil anos atrás pelo crime de extorsão mediante sequestro.
Segundo o MP, provas apontam também que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso de internet de um escritório de advocacia.
Operação Infiltrados
A ação do Ministério Público deflagrada nesta terça, chamada Operação Infiltrados, aponta que os investigados tinham um plano para matar um promotor de Justiça do Gaeco e também estavam envolvidos com a corrupção de agentes públicos, extorsões, violação de sigilo funcional, além de infiltrarem membros do PCC no próprio MP.
Ao todo, a operação cumpriu, nesta terça-feira, dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo.
A ação desta terça é um desdobramento de duas outras operações:
A Operação Pronta Resposta, que foi deflagrada em agosto de 2025 após os promotores receberem informações sobre o complô que visava matar Amauri Silveira Filho, membro do Gaeco. Os criminosos já haviam adquirido armamentos pesados e veículos para executar o atentado. Segundo o MPSP, o mandante dos crimes é Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”, apontado como o número 1 do PCC nas ruas.
A Operação Off White, que foi deflagrada em 30 de outubro de 2025, mirava um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresários e traficantes. O principal alvo da ação era “Mijão” e prendeu também Eduardo Magrini, influenciador conhecido como ‘Diabo Loiro’ e ex-padrasto do MC Ryan.
Vazamento de informações
Segundo o MP paulista, o Gaeco descobriu que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar Amauri Silveira Filho, se reuniu com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.
No material apreendido, vídeos mostram o encontro entre os investigados, justamente às vésperas da operação. O Gaeco investiga as informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia.
Como a operação envolve policiais civis e penais, as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da Comissão de Prerrogativas da OAB — para as buscas em escritório de advocacia —, participaram da ação desta terça-feira.