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Alexandre Motta e Fátima
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Governo Fátima pode deixar passivo de até R$ 1 bilhão na saúde para o próximo governador

O Governo Fátima Bezerra caminha para encerrar o mandato deixando uma das heranças mais pesadas da sua gestão: um passivo bilionário na saúde pública do Rio Grande do Norte. Segundo dados apontados pelo Ministério Público e divulgados pelo g1 RN, a Sesap já acumula R$ 695,8 milhões em restos a pagar processados, despesas reconhecidas pelo Estado, mas ainda não quitadas com fornecedores e prestadores de serviço.

O quadro é ainda mais preocupante porque a dívida continua crescendo. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, surgiu uma nova dívida flutuante de R$ 29,2 milhões. Mantido esse ritmo, o passivo adicional pode superar R$ 80 milhões até o fim do ano, aproximando a conta da saúde de um patamar explosivo para o próximo governo.

Além disso, o Ministério Público aponta que a Secretaria da Fazenda teria retido R$ 141 milhões destinados ao Fundo Estadual de Saúde. Na prática, quando se somam os restos a pagar, a nova dívida acumulada e os recursos represados, a pressão financeira sobre a saúde já passa de R$ 860 milhões, sem considerar novas despesas, judicializações, reajustes contratuais e atrasos que ainda podem surgir até dezembro.

É nesse cenário que cresce a possibilidade de o próximo governador receber uma conta próxima de R$ 1 bilhão apenas na saúde. Não se trata de uma projeção oficial, mas de uma leitura objetiva da tendência atual: dívida alta, execução baixa, recursos retidos e ausência de sinais concretos de reversão do quadro.

Outro dado agrava a situação. Até abril, o Governo do RN havia aplicado apenas 6,64% das receitas de impostos em saúde, quando a Constituição exige o mínimo de 12% ao longo do exercício. O relatório também aponta que foram quitados somente R$ 8.739,53 para aquisição de medicamentos pela Unicat, valor equivalente a 0,01% do orçamento anual da área.

O problema, portanto, não é apenas contábil. Restos a pagar na saúde significam fornecedores sem receber, risco de desabastecimento, hospitais pressionados e pacientes dependentes do SUS enfrentando um sistema cada vez mais estrangulado. A conta que aparece nas planilhas se traduz, na ponta, em atendimento mais difícil e serviço público mais vulnerável.

Na reta final do governo, Fátima Bezerra precisa mostrar um plano concreto para conter essa bola de neve. Caso contrário, a saúde poderá se transformar na principal fatura deixada ao próximo governador: uma herança próxima de R$ 1 bilhão, com impacto direto sobre a capacidade de gestão já no primeiro dia de 2027.

 
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