O senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado Federal, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de uma carta escrita pelo pai.
Em nota, Rogério classificou a medida como “autoritária” e “desproporcional”, afirmando que, na prática, a decisão tenta tornar Jair Bolsonaro incomunicável. Para o senador, o episódio representa uma interferência no jogo político e reforça a percepção de perseguição contra o ex-presidente e seus aliados.
O líder da oposição também comparou o caso com a situação vivida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando esteve preso em 2018. Segundo Rogério, Lula recebeu visitas, manteve interlocução política com aliados, divulgou cartas e concedeu entrevistas enquanto estava detido.
Rogério Marinho afirmou ainda que a oposição não reivindica privilégios, mas igualdade perante a lei. Para ele, impedir o contato familiar entre pai e filho por causa da divulgação de uma mensagem pública representa tentativa de silenciamento.
O senador concluiu dizendo que “calar Bolsonaro” seria uma forma de tentar calar a parcela da população brasileira que o ex-presidente representa.
Leia a nota na íntegra:
NOTA
A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político.
A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.
O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.
Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.
Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa.
Senador Rogério Marinho
Líder da Oposição no Senado Federal