A Copa do Mundo se aproxima da grande final, mas o caso Balogun continua gerando dor de cabeça para a Fifa. Nesta terça-feira (14), o jornal americano The New York Times publicou que a organização de direitos humanos FairSquare apresentou uma denúncia formal ao Comitê Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da entidade, Gianni Infantino.
O documento aponta que Infantino agiu em prol dos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anular a suspensão do atacante americano Folarin Balogun. Segundo a denúncia, o dirigente teria violado repetidamente princípios previstos na Carta Olímpica e no código de ética do COI, entre eles ao menos cinco regras claras de neutralidade política, além de evidências consideradas prima facie de outras duas violações graves.
O episódio mais recente citado pela FairSquare envolve justamente o caso Balogun. O atacante havia sido expulso na partida contra a Bósnia e Herzegovina e recebeu suspensão automática de uma partida. No entanto, a sanção foi retirada pelo Comitê Disciplinar da Fifa, liberando o jogador para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica.
De acordo com o R7, a decisão de anular a suspensão ocorreu após uma ligação telefônica de Trump para Infantino, na qual o presidente americano pediu que a punição fosse revista. Infantino, por sua vez, insistiu publicamente que os comitês disciplinares da Fifa são totalmente independentes em suas decisões.
O jornal também revelou que apenas um único integrante do Comitê Disciplinar da Fifa, o presidente do órgão, Mohamed Al Kamali, tomou a decisão de suspender a punição de Balogun, uma atitude inédita em casos disciplinares dessa natureza, já que nunca antes um único árbitro havia decidido isoladamente um caso disciplinar publicado pela entidade. Até o momento, a Fifa não apresentou explicações detalhadas sobre esse procedimento.
Infantino integra o quadro de membros do COI desde 2020, o que dá à entidade olímpica jurisdição sobre sua conduta em relação às regras de neutralidade política, consideradas um dos princípios fundamentais do Movimento Olímpico. A denúncia da FairSquare surge poucos dias depois de a ESPN informar que dezenas de parlamentares europeus já reuniam apoio para abrir uma investigação sobre o dirigente no Parlamento Europeu.