A poucos dias da convenção que oficializará sua candidatura à Presidência da República, marcada para o próximo sábado (25), em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue sem definir sua candidata a vice. Após a senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusar formalmente o convite, em reunião com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na última terça-feira (21), os nomes que restam no radar da campanha são a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) e a economista Daniella Marques.
Tereza Cristina, tratada por Valdemar como "a vice dos sonhos" de Flávio, informou que pretende se dedicar à disputa pela presidência do Senado em 2027, projeto que, segundo ela, seria inviabilizado por uma candidatura à vice-presidência. Com a saída da senadora do páleo, a campanha do PL busca agora uma alternativa dentro do próprio partido ou de siglas aliadas, já que Flávio quer uma mulher na chapa para tentar reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino — problema potencializado pelo desgaste público com Michelle Bolsonaro.
Quem é Julia Zanatta
Julia Pedroso Zanatta, 41 anos, nasceu em Criciúma (SC) e é advogada e jornalista de formação. Filiada ao PL desde 2020 (antes estava no PSD), foi eleita deputada federal por Santa Catarina em 2022, com 111.588 votos, e está em seu primeiro mandato na Câmara. Antes disso, tentou a prefeitura de Criciúma em 2020, terminando em terceiro lugar.
Na Câmara, Zanatta ocupa a vice-liderança do PL e se destaca como uma das vozes mais alinhadas ao bolsonarismo mais radical, com atuação intensa em bandeiras como o direito à legítima defesa, a defesa da liberdade econômica e a crítica ao que classifica como "doutrinação ideológica" nas escolas.
É contrária à interrupção da gravidez e apoiou a norma técnica do Conselho Federal de Medicina que restringe procedimentos de indução de parada cardíaca fetal em abortos. Também apresentou projeto para suspender a obrigatoriedade de vacinação contra Covid-19 em crianças pequenas. Sua vida pessoal já gerou repercussão negativa: seu companheiro, o advogado Guilherme Colombo, foi banido da Uber por um episódio de acusação de racismo em 2022.
Quem é Daniella Marques
Daniella Marques Consentino, 46 anos, nasceu em Barra Mansa (RJ) e é administradora, formada pela PUC-Rio. Não é filiada a partido político. Construiu carreira no mercado financeiro como sócia de gestoras como Mercatto e Bozano Investimentos, período em que se tornou próxima do economista Paulo Guedes, então ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro.
Em 2022, foi indicada por Bolsonaro para presidir a Caixa Econômica Federal, cargo que ocupou de julho de 2022 a janeiro de 2023, quando foi exonerada pelo presidente Lula. Sua gestão na Caixa ficou marcada por polêmica: a instituição foi o único grande banco a operar a linha de crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, medida amplamente criticada como eleitoreira, liberada dias após o primeiro turno das eleições de 2022, quando Bolsonaro já estava atrás de Lula nas urnas.
Considerada boa articuladora política e com prestígio dentro do núcleo econômico do governo Bolsonaro, ela é hoje a preferida pessoal de Flávio Bolsonaro para a vice, mas sua viabilização depende de uma coligação entre o PL e o Republicanos — negociação que, até o momento, não avançou.