O Itamaraty negou, na última sexta-feira, os vistos de dois funcionários do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel D. Samson, secretário-assistente adjunto do mesmo escritório, atuam no Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
A reportagem apurou que o governo brasileiro tomou conhecimento, no dia 20, do interesse do Departamento de Estado em enviar os dois funcionários ao Brasil para contatos com autoridades vinculadas ao processo eleitoral, com o objetivo de discutir questões relacionadas à liberdade de expressão nas eleições.
A avaliação interna levou em consideração que o pedido de visto com esta finalidade ocorreu em um momento em que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou as urnas eletrônicas, inclusive em um evento com diplomatas. Observou-se haver, então, um risco de instrumentalização da visita em um contexto pré-eleitoral.
Uma reportagem do Washington Post publicada na última sexta-feira informou que o governo de Donald Trump planejava enviar ao Brasil funcionários para questionar a integridade das urnas eletrônicas. Entre os funcionários mencionados estão Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, do Departamento de Estado. A negativa por parte do governo brasileiro, o entanto, ocorreu antes da reportagem.
A viagem de Barnes e Samson veio à tona na mesma semana em que Flávio Bolsonaro pediu a representantes diplomáticos estrangeiros que enviem observadores internacionais ao país após levantar suspeitas sob as urnas eletrônicas com base em informações falsas desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral desde 2017.
— O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes — disse.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, publicou em seu perfil no X que existe "um movimento articulado para atacar a soberania brasileira e tentar derrotar Lula nas eleições".
"Trump quer o Brasil de joelhos. Mas rendição e covardia não fazem parte da nossa história. O Itamaraty acabou de negar visto a esses sabotadores. Quem definirá o destino do Brasil é o povo brasileiro, ninguém mais!", escreveu.
O Globo