O jornalista investigativo Luís Pablo afirmou que as medidas de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, sua fonte em reportagens sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, são "muito graves" e pretendem "destruir profissionalmente um jornalista".
A notícia é da CNN Brasil. "Depois que uma fonte é identificada dentro de uma investigação, quem vai se sentir seguro para me procurar para entregar uma informação? Como eu vou preservar as fontes que construí durante anos de profissão se elas passam a ter medo de também serem identificadas e investigadas?", questionou o jornalista na terça-feira (11).
Baseado no Maranhão, Luís Pablo publicou uma série de reportagens nas quais afirma que um carro oficial do Tribunal de Justiça do estado teria sido utilizado pela família do ministro Flávio Dino para se deslocar pela cidade.
Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão na residência do jornalista. Em sua decisão, o ministro apontou que Luís Pablo teria cometido o crime de perseguição, além de permitir "a exposição indevida relacionada à segurança de autoridades" ao identificar o veículo oficial.
Com base na extração de dados de equipamentos do jornalista, Raimundo Cutrim, que foi secretário de Segurança Pública do Maranhão, pôde ser identificado como a fonte das reportagens.
Luís Pablo diz que sua denúncia contemplava o interesse público e que apresentou provas das irregularidades, que não foram investigadas por autoridades. O jornalista afirma que fatos pessoais alheios às reportagens estão sendo utilizados para incriminá-lo.
"Minha vida privada passou a ser vasculhada. E agora fatos e revelações particulares, que não têm qualquer ligação com as minhas reportagens, estão sendo usados para tentar me atribuir uma conduta criminosa."