A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio de uma ação coordenada pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), deflagrou a Operação Reflexo, nesta sexta-feira (14/8). A ofensiva teve como objetivo desarticular um esquema refinado de estelionato eletrônico operado por um casal que vendia aparelhos celulares inexistentes pela internet.
O desfecho da investigação chamou a atenção das autoridades policiais e do meio acadêmico: a principal investigada e presa preventivamente durante a operação é Micaelli Araújo, de 22 anos, estudante do 7º semestre de direito e estagiária de um escritório advocatício.
Nas redes sociais, Micaelli mantinha uma postura pública que ironicamente simulava o combate a ilegalidades. A jovem costumava publicar vídeos e orientações ensinando seguidores a desbloquear contas bancárias suspensas por suspeita de fraude e dando dicas para evitar golpes virtuais. Na prática, porém, ela era a própria operadora das fraudes.
Estrutura cenográfica
Ao lado do companheiro, Rafael dos Santos Damasceno, de 25 anos, a universitária construiu uma complexa estrutura de aparência profissional para lesar consumidores em busca de smartphones com preços atrativos.
Segundo os investigadores da 8ª DP, o casal dedicou minucioso cuidado para conferir credibilidade à falsa atividade comercial. Eles criaram e administravam perfis falsos que clonavam rigorosamente a identidade visual de uma renomada loja do setor de telefonia.
Para induzir as vítimas a erro e provocar uma falsa sensação de segurança, os suspeitos montaram uma verdadeira “loja cenográfica” em um cômodo da própria residência, localizada no estado de São Paulo.
O ambiente era minuciosamente decorado com dezenas de caixas vazias de smartphones de última geração, etiquetas, embalagens e fitas de envio postal. Ali, o casal gravava vídeos e tirava fotos personalizadas demonstrando os supostos produtos embalados e prontos para entrega, confortando os compradores antes do pagamento.
Passo a passo do esquema:
- Clonagem: réplica de perfis oficiais de lojas respeitadas.
- Loja cenográfica: gravação de vídeos com estoque falso e caixas embaladas.
- Negociação: atendimento simulado de alta credibilidade.
- Desaparecimento: recebimento via Pix e bloqueio imediato do comprador.
Ao efetuar os pagamentos via transferência eletrônica, as vítimas percebiam que os produtos jamais seriam enviados, sendo imediatamente bloqueadas em todos os canais de comunicação do casal.